Nunca choveu tão pouco no Rio de Janeiro. Quem adverte é o Alerta Rio, serviço meteorológico da Prefeitura do Rio, que nunca registrou um índice pluviométrico tão baixo como o de fevereiro. A média registrada no último mês foi de apenas 0,6mm, quando o esperado para esta época é de 123mm. Essa é a menor taxa entre todos os meses dos últimos 28 anos. A falta de chuva, associada às altas temperaturas registradas, também chamam a atenção para outro fato importante: a redução na disponibilidade hídrica em mananciais que abastecem a região metropolitana do Rio de Janeiro, que apresentam níveis muito abaixo do esperado.
O aumento de consumo de água e o baixo nível das represas, resultante da onda de calor na cidade, têm causado preocupação sobre o abastecimento de água. Segundo a CEDAE, o Sistema Acari, que abastece parte da Baixada Fluminense, está operando com a menor vazão dos últimos cinco anos, com redução de 32% na oferta de água. Isso afeta diretamente cerca de 450 mil pessoas dos municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Queimados e Japeri.
As estações ETA Ponta Negra e ETA Maricá, juntas, apresentam redução de 77% do volume de água. Os mananciais estão muito impactados pela falta de chuva. Entre os sistemas operados pela Águas do Rio em que a captação está reduzida devido à estiagem estão a ETA Maricá e Ponta Negra, com captações em Ubatiba e no Rio Doce, que teve uma redução de 77%; a ETA Sampaio Corrêa, em Saquarema, que capta água do rio Roncador, com queda de 50%; e a ETA Rio Bonito, que capta água do Rio Bacaxá, com uma redução de 17%.
Segundo a meteorologista Raquel Franco, a média da temperatura de fevereiro costuma ser de 35° C, mas este ano os termômetros registraram média de 38° C. "Estamos sob uma massa de ar quente que tem impedido a chegada de frentes frias. E a pouca chuva que temos registrado são muito fracas e insuficientes para reverter esse quadro de elevação térmica", explica a profissional.
Apesar da situação ser mais crítica na Baixada Fluminense, Maricá, Tanguá, Saquarema e Rio Bonito, é preciso que a população da capital também use a água de forma consciente. "Como os sistemas são interligados, toda a população precisa colaborar, evitar o desperdício, para que a água seja distribuída da melhor maneira possível", explica o diretor de operações Diego Dal Magro.
O nível de chuva atual é ainda pior do que o dos meses de inverno, geralmente mais secos, mas com temperatura de verão intenso. "Apesar do calor excessivo, precisamos conscientizar as pessoas de que a situação atual é crítica e merece a colaboração de todos, sem exceção, para uso da água apenas nas atividades prioritárias até a normalização", conclui Dal Magro.
Até o momento, não há previsão de chuvas volumosas no Rio de Janeiro até meados de março. Raquel Franco esclarece ainda que, estudos mostram que o aquecimento global fará com que todos os sistemas sejam mais intensificados e mais frequentes: "Até esses bloqueios atmosféricos, como o que estamos enfrentando hoje, tendem a ser não só mais frequentes, como também mais longos".
Com isso, fica o alerta para a população fluminense: o uso consciente da água deve ser uma prática constante, e não apenas em momentos de crise.