Carnaval é ambiente de festa, celebração e inclusão. Entretanto, historicamente caminhou lado a lado também com o preconceito e a intolerância. Um grande exemplo disso são as marchinhas de Carnaval, que em muitas delas continham termos preconceituosos e hoje, felizmente, são combatidos e muitas vezes nem sequer citados.
O historiador Luiz Antônio Simas falou um pouco sobre estes termos utilizados historicamente nas músicas e ressaltou o fato de hoje tudo isso ser combatido.
"A marchinha de Carnaval, a rigor, sempre zombou de muita coisa. E muitas marchinhas retrataram um Brasil profundamente misógino, homofóbico, que desqualifica as populações originárias e racista. Então eu acho positivo que hoje ocorra um certo sentido crítico em relação a muitas dessas letras de marchinhas mais antigas. Era comum, era aceito e era considerado engraçado que você mexesse com a nega maluca, que você mexesse com o indígena, dizendo que o índio quer apito, que você mexesse com o gay, falando da cabeleira do Zezé", analisou.
Nos dias de hoje, a sociedade passou a ter uma cobrança maior em relação a quem comete intolerâncias de qualquer tipo.
"É positivo que hoje muitos blocos de carnaval questionem essas marchinhas, porque tem um repertório muito vasto. Você não precisa ficar cantando marchas que falem disso, que brinquem com a cabeleira do Zezé, com a nega maluca, ou a objetificação da mulher que é muito forte. Isso não é ser chato, nem contra o espírito do carnaval, mas é entender que uma sociedade vai discutindo certas pautas que antes não discutia", completou.