Rio - O policial civil João Pedro Marquini Santana, de 38 anos, que morreu baleado por tiros de fuzil, foi enterrado, no início da tarde desta terça-feira (1º), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste. A vítima era casada com a juíza Tula Mello, que chegou na cerimônia acompanhada dos filhos do agente.
Diversos policiais fardados e à paisana compareceram ao cemitério para homenagear o colega de farda, que era lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Tula, emocionada, fez questão de cumprimentar os agentes.
O delegado da Core Fabrício Oliveira comentou que o policial era um destaque nas coisas que fazia, sendo selecionado para representar a corporação em um curso de atirador de precisão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
"Um policial fora da curva. Foi destaque em todos os cursos que fez, muito respeitado pela equipe, aquele policial que a gente se sente bem quando está trabalhando do lado. Para a Polícia, uma perda muito grande. Para a família, é uma perda irreparável. A sociedade perde muito também com a morte dele porque era um cara muito trabalhador. Ele já arriscou a própria vida em inúmeras situações, se colocava em situações de risco pra defender os colegas e pra defender a sociedade. Isso era uma das características dele, de ser corajoso, de agir com bravura e sempre ser muito bem sucedido em tudo que fazia", comentou.
Entre os presentes estavam o secretário de Estado de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, e o ex-governador Wilson Witzel, que sofreu processo de impeachment em 2021, culminando na cassação de seu mandato.
João morreu na noite do último domingo (30). O agente passava de carro por Guaratiba, na Zona Oeste, no momento em que criminosos abordaram o seu veículo e realizaram os disparos. Cinco tiros o acertaram. De acordo com testemunhas, ele foi alvo de uma tentativa de assalto em uma falsa blitz, hipótese investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Na ocasião, Marquini estava em um carro sendo acompanhado da mulher, que também teve o seu veículo atingido por disparos. O automóvel da magistrada era blindado e ela não ficou ferida.
Na sequência, os bandidos fugiram em direção à comunidade César Maia, em Vargem Pequena, também na Zona Oeste, região que vive uma disputa de território entre traficantes do Comando Vermelho e milicianos. Logo após a morte do agente, equipes da Core estiveram no local e houve tiroteio. Um carro, que teria sido usado no crime, foi apreendido.
Segundo apurado pelo Meia Hora, Marquini portava uma pistola, mas apenas cápsulas de fuzil foram encontradas no local do crime, o que indica que o policial não teve tempo de revidar ao ataque. A investigação segue em andamento para identificar os envolvidos na morte e as circunstâncias.
Homenagens
Nas redes sociais, a juíza Tula Mello, que trabalha o III Tribunal do Júri, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), compartilhou uma homenagem publicada pela Core ao marido.
"João Pedro Marquini Santana deixa um legado de coragem, dedicação e lealdade na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Respeitado e admirado por seus irmãos, tornou-se uma referência nas operações especiais. Seu talento e determinação também o levaram a se destacar internacionalmente, representando a Core com honra nos Estados Unidos, onde concluiu com destaque o tradicional curso da SWAT da Miami Police. Por inúmeras vezes, colocou sua própria vida em risco para proteger seus irmãos e a sociedade, sempre com bravura e altruísmo. Tantos eventos heroicos permitiram que ele fosse promovido rapidamente ao posto mais alto de sua carreira: Comissário de Polícia", publicou.
Além do texto, a Coordenadoria destacou o legado do policial. "Sua paixão pelo trabalho e sua incansável dedicação ao bem maior fizeram dele um exemplo que transcende o tempo, e seu legado seguirá inspirando gerações de agentes de segurança pública", finalizou.
*Colaboração de Reginaldo Pimenta